{outubro 7, 2008}
O jornalismo e a blogosfera
Diante dos dados que apontam para a existência de 133 milhões de blogs no mundo (cerca de dois milhões no Brasil), começa a popularizar-se na imprensa a expressão blogosfera, com algumas questões muito pertinentes para a profissão jornalística. Na capa de seu último número, por exemplo, a revista Imprensa apregoa que “blogueiro não é jornalista”. É saudável, entretanto, reexaminar sempre a atualidade conceitual de palavras-chave da modernidade, a exemplo de “jornalista”. Vale lembrar que é relativamente recente (do século 19 para cá) o emprego desta palavra para designar o profissional da informação pública. Na perspectiva dos pensadores liberais, seria conspícua a missão do jornalista na promoção da cultura e da liberdade de expressão.
É outra, porém, a realidade da informação pública sob o influxo dos tempos do deus-mercado. Esvai-se a idéia clássica de imprensa como “agente promotor de cultura”. Claro, o jornal pode ser sempre categorizado como “objeto cultural”, ao lado de tantos outros (softwares, canções, filmes, livros etc.) que se multiplicam na contemporânea “sociedade da informação” e que concorrem para a mitologia de um novo tipo de democracia, definida pelo acesso de todos a esses objetos culturais, sob o signo da proteção e da difusão patrimoniais. Mas é difícil conceber objetos de cultura sem sujeitos de cultura.
Ou seja, já que não se abre mão da velha idéia de cultura, é forçoso examinar se ainda é válido associar esta palavra a “objeto”, sem ao mesmo tempo pesquisar sobre a validade de uma cultura sem sujeitos, que funcionaria apenas ou primordialmente no nível da produção, circulação e consumo de serviços e bens simbólicos, com as mesmas regras da economia mercantil.
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